A Copa do Mundo de 2026, celebrada pela Fifa como a maior e mais inclusiva da história, vem enfrentando uma forte crise de imagem fora das quatro linhas. O motivo não são falhas na organização ou arbitragem, mas sim a presença em campo de atletas de elite que respondem a graves acusações de crimes sexuais e violência de gênero. Nas redes sociais, torcedores e movimentos de direitos das mulheres acusam as entidades de fechar os olhos para abusos em nome do espetáculo.
- O estopim para a onda recente de protestos virtuais foi o avanço de seleções cujos principais líderes enfrentam a Justiça. O termo #MundialDaImpunidade ganhou tração no X (antigo Twitter) e no Instagram, impulsionados pela revolta do público com o contraste entre o marketing progressista da Fifa e a realidade dos elencos.
- A lista de acusados que jogam o torneio
- Uma investigação mais aprofundada dos elencos revela que o problema é sistêmico e atinge múltiplas seleções de destaque mundial:
- Thomas Partey (Ghana): O meio-campista de 33 anos protagonizou um dos episódios mais tensos da primeira fase. Partey chegou a ter sua entrada negada no Canadá por problemas de visto decorrentes de seus processos criminais no Reino Unido, onde é acusado por quatro mulheres diferentes de abuso e responderá por novos casos de estupro. De volta ao time em Boston, ele foi amplamente vaiado pelo público e o zagueiro inglês Djed Spence se recusou a apertar sua mão antes da partida.
- Achraf Hakimi (Marrocos): O lateral-direito do Paris Saint-Germain é o capitão e principal referência técnica da seleção marroquina. Recentemente, a Justiça francesa rejeitou um recurso de sua defesa, confirmando que há provas suficientes para levá-lo a julgamento pelo estupro de uma jovem de 24 anos. Em coletivas de imprensa no Mundial, o elenco declarou apoio irrestrito ao jogador, gerando ainda mais revolta.
- Ryan Mendes (Cabo Verde): Capitão e destaque da seleção sensação da Copa, o atacante é formalmente investigado pela polícia da Nova Zelândia por agredir fisicamente e estuprar uma intérprete brasileira em março de 2026. A despeito das notificações extrajudiciais enviadas à Fifa pela defesa da vítima, ele segue jogando normalmente no mata-mata.
- Maduka Okoye (Nigéria): O goleiro nigeriano, que recentemente viralizou nas redes sociais brasileiras por sua aparência, teve graves denúncias de violência doméstica trazidas à tona novamente. Sua ex-parceira, Jelicia Westhoff, chegou a expor fotos com o nariz quebrado e hematomas pelo corpo causados pelo atleta.
- A revolta dos torcedores: "O talento não anula o crime"
- A principal crítica dos internautas gira em torno da discrepância de punições no esporte. Usuários apontam que jogadores são suspensos por meses caso infrinjam regras de apostas esportivas ou caiam no exame antidoping, mas continuam recebendo salários milionários e defendendo suas pátrias quando a acusação envolve violência contra a mulher.
- "A mensagem que o futebol passa é clara: se você joga bem e dá lucro, o que você faz com uma mulher entre quatro paredes não importa. É nojento assistir a essa Copa", desabafou uma usuária em publicação com milhares de curtidas no X.
- Historicamente, condenações de grande repercussão, como as de Robinho e Daniel Alves, forçaram o debate, mas críticos apontam que a cultura do futebol só reage quando a sentença é definitiva e a prisão é decretada. Até lá, a presunção de inocência é utilizada por confederações como um escudo conveniente para manter os ativos mais valiosos em campo. Enquanto o mata-mata da Copa do Mundo avança, o silêncio institucional da Fifa e das federações locais alimenta um boicote silencioso por parte de torcedores que se recusam a celebrar ídolos com passados — e presentes — sombrios.
- Fontes: Associated Press (AP), ITV News, GE (Globo Esporte), Portal R7 (Lance!), CNN Brasil e Revista Veja.



