Quando J.B. de Oliveira, o Boninho, anunciou sua saída da TV Globo e a parceria inédita com a Record e o Disney+ para criar um novo formato original, o mercado de televisão estremeceu. Prometendo revolucionar o gênero com A Casa do Patrão, o diretor colocou no ar uma estrutura baseada em relações de poder, confinamento e 18 participantes anônimos divididos entre o luxo do "Patronato" e o perrengue da "Casa do Trampo".
Porém, dois meses após a estreia em 27 de abril, o cenário é de crise: audiência em queda livre, derrotas consecutivas para o SBT e um formato que o próprio público ainda não conseguiu engolir.
Os Três Erros Críticos que Afundaram o Formato
O que parecia uma fórmula infalível de entretenimento acabou esbarrando em erros estratégicos difíceis de corrigir em plena exibição.
- 1. O Pior Timing Possível O maior erro de Boninho — apontado por críticos e evidente na recepção do público — foi o calendário. A Casa do Patrão estreou menos de uma semana após a final do BBB 26. O público ainda estava de ressaca do reality da Globo, o que tornou as comparações inevitáveis e cruéis. A diferença de estrutura, captação de imagem e agilidade das câmeras entre os dois programas ficou escancarada, deixando o produto da Record com uma roupagem ultrapassada.
- 2. Leandro Hassum Fora do Tom A escalação de Leandro Hassum para a apresentação foi recebida com curiosidade, mas a transição do humorista para o comando de um jogo de convivência tenso gerou constrangimento. Sem o traquejo ou a firmeza de outros veteranos do gênero, Hassum frequentemente oscila entre piadas deslocadas e broncas que soam artificiais, falhando em criar uma conexão genuína e magnética com quem assiste.
- 3. Audiência no "Chão do Trampo" Os números do Ibope não mentem. Após uma estreia que até deu esperanças ao registrar uma boa vice-liderança, o reality derreteu mais de 36% de seu público em questão de semanas. Na Grande São Paulo, o programa chegou a registrar míseros 2,9 pontos de média, amargando o terceiro lugar e perdendo feio para o Programa do Ratinho, no SBT — um pesadelo para uma produção que custou milhões e envolve gigantes do streaming.
